Sustentabilidade

PF apura R$ 97 mi de previdência de Maceió no Master

ResumoA Polícia Federal apura R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) aplicados no Banco Master. A investigação, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre oito mandados em Alagoas e São Paulo para verificar possíveis irregularidades na gestão dos recursos previdenciários. O caso envolve a análise de contratos e movimentações financeiras.

PF e CGU cumprem 8 mandados em Alagoas e SP para investigar aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master. Entenda o caso e os próximos passos.

Reinaldo Krieger
Reinaldo Krieger Colunista de Mercados e Preços · 10 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
PF apura R$ 97 mi de previdência de Maceió no Master

PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo.

O que está em jogo: R$ 97 milhões em letras financeiras

As suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil. Os valores são o centro da apuração, que busca esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos.

O Banco Master: da crise de liquidez à liquidação extrajudicial

Pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez. Esse contexto é essencial para entender o risco assumido pelo Iprev ao aplicar em ativos do banco.

Os seis investigados e seus papéis

A operação mirou seis pessoas, cada uma com um papel específico nos fatos investigados:

  • João Felipe Alves Borges: atual secretário de Fazenda de Maceió, integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos investigados.
  • Ronnie REYNER Teixeira Mota: ex-diretor-presidente do Iprev.
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev.
  • Renan Foglia Calamia: dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado.
  • Marília Alexandre de Lima Alves: integrante da Secretaria Municipal da Fazenda.
  • Marcelo Brasileiro Santos: membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

O que foi apreendido e a indisponibilidade de bens

Mendonça autorizou os agentes federais a apreenderem computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias; telefones pessoais ou corporativos; documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados e também nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Além das buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e de Santos, até o limite global de R$ 97 milhões. Ou seja, o bloqueio patrimonial mira exatamente o montante aplicado no Master.

O papel da consultoria Crédito & Mercado

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência. A suspeita é que a consultoria tenha atuado além do que seria permitido, assumindo funções que caberiam ao próprio Iprev.

As suspeitas: direcionamento e exposição a risco elevado

Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial para realizar as buscas e apreensões, a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

"De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master", assinalou Mendonça, em seu despacho.

O que diz o Iprev

Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.

Próximos passos e o que acompanhar

A investigação segue em curso. A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados. Para quem acompanha o caso, os pontos centrais são: o aprofundamento das análises sobre o credenciamento e a tomada de decisão, a eventual responsabilização dos envolvidos e o impacto sobre o patrimônio previdenciário de Maceió.

Perguntas Frequentes

O que é o Iprev?

O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) é o órgão responsável pela gestão da previdência dos servidores do município. Ele aplica recursos em diferentes ativos financeiros para garantir o pagamento de aposentados e pensionistas.

O que é o Banco Master?

O Banco Master era uma instituição financeira pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, após violar normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentar grave crise de liquidez.

Quais os valores envolvidos na investigação?

O montante principal é de R$ 97 milhões, aplicado em dezembro de 2023 em letras financeiras do Master. Em maio de 2024, houve uma aplicação adicional de R$ 17 mil.

Quem são os investigados?

São seis pessoas: João Felipe Alves Borges, Ronnie REYNER Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos. Cada um tinha um papel ligado ao Iprev ou à consultoria Crédito & Mercado.

O que pode acontecer com os investigados?

Além da indisponibilidade de bens até o limite de R$ 97 milhões, os investigados podem responder por gestão fraudulenta, se confirmadas as suspeitas. A investigação ainda está em fase de coleta de provas.

O Iprev corre risco de não pagar aposentados?

O Iprev afirma que o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante a capacidade de pagamento. A investigação, porém, ainda pode impactar a gestão dos recursos.

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