Leilões de petróleo em outubro terão recorde de áreas
A ANP confirmou que os leilões de petróleo de outubro terão recorde de áreas em disputa. São 13 blocos no pré-sal e 22 setores na concessão. Entenda os números.
Leilões de petróleo em outubro terão recorde de áreas em disputa
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou nesta quinta-feira (6) que as licitações de exploração de petróleo marcadas para outubro terão número recorde de áreas em disputa. Dois certames estão agendados para 7 de outubro: o 4º Ciclo de Partilha, que abrange áreas do pré-sal, com 13 blocos, e o 6º Ciclo de Concessão, com 22 setores. A relação completa foi publicada no Diário Oficial da União.
Resposta direta: Os leilões de petróleo de outubro terão recorde de áreas em disputa. O 4º Ciclo de Partilha, no pré-sal, oferta 13 blocos; o 6º Ciclo de Concessão, 22 setores. A relação completa foi publicada no Diário Oficial da União. Empresas podem declarar interesse até 31 de agosto.
Por que esse recorde importa para o produtor
Eu operei trading de grãos por anos, e aprendi que todo leilão de petróleo mexe com o câmbio, com o custo de diesel e, no fim, com o preço que chega na porteira. Quando a ANP anuncia um recorde de áreas, o mercado de commodities acende um alerta: mais oferta futura tende a pressionar preços, mas a janela de venda se abre antes, na expectativa. Não estou prometendo alta, estou mostrando o que muda.
O que está em jogo nos dois leilões
O 4º Ciclo de Partilha, focado no pré-sal, oferta 13 blocos. O 6º Ciclo de Concessão, que licita as demais áreas, tem 22 setores. Foram incluídos apenas setores ou blocos que receberam declaração de interesse de pelo menos uma empresa de petróleo, desde que a companhia também tenha manifestado garantia de oferta.
Até agora, os 22 setores do leilão de concessão receberam declaração de interesse com garantia de oferta de 12 empresas. Os 13 blocos do leilão de partilha têm a manifestação de seis empresas. Esses números podem crescer.
Prazo para ampliar a participação
A ANP explica que, até 31 de agosto, empresas que ainda não tenham ou que já tenham declarado interesse podem demonstrar interesse em outros setores ou blocos, ampliando a participação nos leilões. Quem não cumprir esse procedimento até o fim do prazo ainda pode participar da disputa por meio de consórcio com empresas que se habilitaram.
O que os leilões anteriores mostraram
Em outubro do ano passado, o 3º Ciclo da Oferta de Partilha terminou com cinco dos sete blocos em disputa arrematados. Na ocasião, os bônus de assinatura chegaram a quase R$ 104 bilhões, com previsão de investimento mínimo na fase de exploração de R$ 451,5 milhões.
O leilão do 5º Ciclo da Oferta de Concessão ocorreu em junho de 2025, com assinatura de 34 contratos de concessão de blocos. A arrecadação de bônus de assinatura foi de cerca de R$ 989 milhões, com investimentos mínimos estimados em R$ 1,5 bilhão na fase de exploração.
Partilha vs. concessão: a lógica por trás
Descoberto há 20 anos, o petróleo do pré-sal mostrou-se tão significativo para o potencial de produção brasileiro que levou o governo a mudar, em 2010, o regime que autorizava as empresas a explorar a riqueza submersa.
Nas áreas de pré-sal vigora o regime de partilha. Nesse modelo, a produção de óleo excedente (saldo após pagamento dos custos) é dividida entre a empresa e a União. Quando ocorre leilão em uma área, a companhia vencedora é aquela que oferece a maior parcela do óleo à União.
Essa regra é diferente do modelo de concessão, válido nos demais blocos de óleo e gás. No modelo tradicional, o risco de investir e encontrar, ou não, petróleo é da concessionária, que se torna dona de todo o óleo e gás que venham a ser descobertos. Em contrapartida, além do bônus de assinatura ao arrematar o leilão, a petrolífera paga royalties e participação especial (no caso de campos de grande produção) ao governo.
O papel da PPSA e o peso do pré-sal
Junto com o modelo de partilha, foi criada uma estatal, a Pré-Sal Petróleo (PPSA), sediada no Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que representa a União no recebimento das receitas. Ou seja, a PPSA vende o petróleo entregue pelas petroleiras à União.
O Polígono do Pré-Sal, no litoral do Sudeste, concentra os principais campos de produção do petróleo no país. Em junho de 2026, dado mais recente da ANP, os campos do pré-sal, sob uma espessa camada de sal que pode chegar a 7 mil metros de profundidade, responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás.
Leitura prática para a janela de venda
Eu vejo dois pontos práticos. Primeiro, o recorde de áreas indica que a ANP espera demanda firme das petroleiras, o que costuma fortalecer o real e reduzir o custo de insumos importados. Segundo, a diferença entre partilha e concessão afeta o ritmo de exploração: na concessão, a empresa assume o risco e corre; na partilha, a União divide o resultado, o que pode desacelerar decisões.
Para quem comercializa grãos, o recado é: acompanhe o resultado desses leilões em outubro, porque o fluxo de investimento estrangeiro no pré-sal mexe com câmbio e, por tabela, com a sua margem. Não há certeza de alta, mas há uma janela que se abre na expectativa. Venda por número, não por palpite.
Perguntas Frequentes
Quantas áreas serão leiloadas em outubro?
Serão 13 blocos no 4º Ciclo de Partilha e 22 setores no 6º Ciclo de Concessão, totalizando 35 áreas em disputa.
Até quando as empresas podem declarar interesse?
Até 31 de agosto, empresas que ainda não tenham ou que já tenham declarado interesse podem demonstrar interesse em outros setores ou blocos.
O que é o regime de partilha?
No regime de partilha, a produção de óleo excedente é dividida entre a empresa e a União. A vencedora é quem oferece a maior parcela do óleo à União.
O que é o regime de concessão?
No regime de concessão, o risco de investir é da concessionária, que se torna dona de todo o óleo e gás descobertos, pagando bônus, royalties e participação especial.
Qual a participação do pré-sal na produção nacional?
Em junho de 2026, os campos do pré-sal responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás, segundo a ANP.