Safra e Produção

Pragas Solanáceas Controle: 13 Pragas e Controle Biológico

ResumoO guia Pragas Solanáceas Controle lista 13 pragas frequentes em tomate, batata, pimentão e berinjela, incluindo lagartas, mosca-branca e ácaros. O controle biológico indicado para cada praga utiliza predadores naturais como joaninhas, parasitoides e fungos entomopatogênicos, conforme o manejo integrado de pragas. A aplicação desses agentes reduz a necessidade de inseticidas químicos e preserva a produtividade das culturas.

Tomate, batata, pimentão e berinjela sofrem com pragas que reduzem a produtividade. Este guia lista 13 pragas frequentes e o controle biológico indicado para cada uma, com base em manejo integrado.

Sebastião Quirino
Sebastião Quirino Repórter Sênior de Política Agrícola · 10 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Pragas Solanáceas Controle: 13 Pragas e Controle Biológico

O cultivo de solanáceas, grupo que inclui tomate, batata, pimentão e berinjela, enfrenta um desafio constante: pragas que atacam folhas, frutos e raízes. O controle químico é o mais comum, mas o manejo integrado ganha espaço com opções biológicas eficazes. Este guia reúne 13 pragas frequentes e o controle biológico específico para cada uma, pensado para o produtor que quer reduzir custos e impacto ambiental.

A ordem de apresentação segue a relevância econômica e a frequência de danos nas principais regiões produtoras. Cada item traz um agente de controle e um critério prático de uso.

1. Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta)

É a praga mais destrutiva do tomateiro, com lagartas que minam folhas e frutos. O controle biológico mais eficaz usa o parasitoides de ovos Trichogramma pretiosum, liberado semanalmente durante o pico de infestação. Outra opção é Bacillus thuringiensis (Bt), aplicado nas primeiras fases da lagarta.

2. Mosca-branca (Bemisia tabaci)

Além do dano direto, transmite viroses como o begomovírus. O fungo entomopatogênico Beauveria bassiana e a vespa parasitoide Encarsia formosa atuam sobre ninfas e adultos. A liberação de predadores como Chrysoperla (crisopídeo) reduz populações em estufas.

3. Pulgões (Myzus persicae, Macrosiphum euphorbiae)

Sugam seiva e transmitem o vírus do enrolamento da folha da batata. Joaninhas (Hippodamia convergens) e larvas de sirfídeos são predadores eficazes. O fungo Lecanicillium lecanii controla colônias em condições de alta umidade.

4. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)

Ataca folhas de pimentão e berinjela, causando prateamento e queda. O ácaro predador Phytoseiulus persimilis é o agente clássico de controle, com liberação preventiva quando a infestação é baixa. Em cultivos protegidos, a umidade relativa acima de 60% favorece o predador.

5. Broca-grande-do-fruto (Helicoverpa zea)

Lagarta que perfura frutos de tomate e pimentão, abrindo porta para fungos. Bacillus thuringiensis kurstaki aplicado na postura reduz a eclosão. O parasitoide Trichogramma também atua nos ovos, mas a liberação precisa ser frequente, pois a praga tem várias gerações.

6. Broca-pequena-do-fruto (Neoleucinodes elegantalis)

Comum em tomate estaqueado, a lagarta entra pelo cálice e danifica a polpa. O controle biológico com Trichogramma galloi tem mostrado eficiência em regiões de clima quente. A liberação deve começar na floração, antes da formação dos frutos.

7. Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

Ataca plântulas e mudas recém-transplantadas, cortando o caule na base. Nematoides entomopatogênicos (Steinernema spp.) aplicados no solo atingem as lagartas no estágio de pupa. A aplicação deve ser feita ao entardecer, quando a praga se aproxima da superfície.

8. Vaquinha (Diabrotica speciosa)

Besouro que fura folhas e transmite o vírus do mosaico em feijão e solanáceas. O fungo Metarhizium anisopliae infecta adultos no solo. Armadilhas com feromônio ajudam no monitoramento, mas o controle biológico exige aplicações contínuas em bordaduras.

9. Tripes (Frankliniella occidentalis)

Pragas minúsculas que transmitem o vira-cabeça do tomateiro. O ácaro predador Amblyseius swirskii é liberado em cultivos protegidos, com resultado em 2 a 3 semanas. A presença de plantas daninhas reduz a eficácia, então o manejo de bordadura é essencial.

10. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Embora associada ao milho, ataca tomate e pimentão em certas fases. Bacillus thuringiensis aizawai é eficaz contra lagartas jovens. O parasitoide Campoletis sonorensis também ocorre naturalmente, mas é sensível a inseticidas de amplo espectro.

11. Percevejo-verde (Nezara viridula)

Suga frutos e causa manchas e deformações. O parasitoide de ovos Trissolcus basalis reduz populações em áreas de soja próximas. Em solanáceas, a liberação deve ser feita na bordadura, onde os adultos entram.

12. Cochonilhas (Planococcus citri)

Atacam raízes e parte aérea em estufas, com fumagina associada. O predador Cryptolaemus montrouzieri, a joaninha australiana, é específico para cochonilhas. A liberação é mais eficaz em infestações localizadas, não em plantas severamente danificadas.

13. Nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.)

Atacam raízes de tomate e batata, reduzindo a absorção de água. O controle biológico usa fungos como Pochonia chlamydosporia e bactérias como Pasteuria penetrans, aplicados no solo antes do plantio. A rotação com gramíneas por 60 dias reduz a população inicial.

Como escolher o controle biológico certo

A escolha depende do nível de infestação, do estágio da cultura e do ambiente. Para lagartas em fase inicial, Bacillus thuringiensis é a primeira linha. Para pragas de solo, nematoides e fungos são mais indicados. Em estufas, priorize ácaros predadores e parasitoides, que exigem clima controlado. O monitoramento semanal com armadilhas e inspeção visual define o momento certo de liberação.

FAQ

Qual é a praga mais destrutiva em solanáceas?

A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) é considerada a mais destrutiva, pois ataca folhas, hastes e frutos, com várias gerações por safra. O controle biológico com Trichogramma e Bt é eficaz, mas exige monitoramento constante.

O controle biológico substitui totalmente o químico?

Não. Em infestações severas, o controle biológico pode não ser suficiente. O manejo integrado combina liberação de inimigos naturais com inseticidas seletivos, que preservam os agentes de controle.

Como saber se a liberação de predadores funcionou?

Avalie a redução da população da praga em 2 a 3 semanas e a presença de predadores nas plantas. Em estufas, a umidade e a temperatura devem ser adequadas à espécie liberada.

Quais pragas atacam mais o pimentão?

Ácaro-rajado, pulgões e tripes são comuns no pimentão, especialmente em cultivo protegido. O controle com Phytoseiulus e Amblyseius é eficaz em condições de alta umidade relativa.

O controle biológico é mais caro que o químico?

O custo inicial pode ser maior, mas a longo prazo reduz gastos com reaplicações e perdas por resistência. Em cultivos de tomate estaqueado, o custo por hectare é competitivo quando comparado ao manejo químico intensivo.

Qual a frequência de liberação de parasitoides?

Depende da praga e da fase da cultura. Para Tuta absoluta, recomenda-se liberação semanal de Trichogramma durante o pico de infestação. Já para mosca-branca, liberações quinzenais podem ser suficientes em estufas.

Leia também

Publicidade