Pragas Solanáceas Controle: 13 Pragas e Controle Biológico
Tomate, batata, pimentão e berinjela sofrem com pragas que reduzem a produtividade. Este guia lista 13 pragas frequentes e o controle biológico indicado para cada uma, com base em manejo integrado.
O cultivo de solanáceas, grupo que inclui tomate, batata, pimentão e berinjela, enfrenta um desafio constante: pragas que atacam folhas, frutos e raízes. O controle químico é o mais comum, mas o manejo integrado ganha espaço com opções biológicas eficazes. Este guia reúne 13 pragas frequentes e o controle biológico específico para cada uma, pensado para o produtor que quer reduzir custos e impacto ambiental.
A ordem de apresentação segue a relevância econômica e a frequência de danos nas principais regiões produtoras. Cada item traz um agente de controle e um critério prático de uso.
1. Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta)
É a praga mais destrutiva do tomateiro, com lagartas que minam folhas e frutos. O controle biológico mais eficaz usa o parasitoides de ovos Trichogramma pretiosum, liberado semanalmente durante o pico de infestação. Outra opção é Bacillus thuringiensis (Bt), aplicado nas primeiras fases da lagarta.
2. Mosca-branca (Bemisia tabaci)
Além do dano direto, transmite viroses como o begomovírus. O fungo entomopatogênico Beauveria bassiana e a vespa parasitoide Encarsia formosa atuam sobre ninfas e adultos. A liberação de predadores como Chrysoperla (crisopídeo) reduz populações em estufas.
3. Pulgões (Myzus persicae, Macrosiphum euphorbiae)
Sugam seiva e transmitem o vírus do enrolamento da folha da batata. Joaninhas (Hippodamia convergens) e larvas de sirfídeos são predadores eficazes. O fungo Lecanicillium lecanii controla colônias em condições de alta umidade.
4. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)
Ataca folhas de pimentão e berinjela, causando prateamento e queda. O ácaro predador Phytoseiulus persimilis é o agente clássico de controle, com liberação preventiva quando a infestação é baixa. Em cultivos protegidos, a umidade relativa acima de 60% favorece o predador.
5. Broca-grande-do-fruto (Helicoverpa zea)
Lagarta que perfura frutos de tomate e pimentão, abrindo porta para fungos. Bacillus thuringiensis kurstaki aplicado na postura reduz a eclosão. O parasitoide Trichogramma também atua nos ovos, mas a liberação precisa ser frequente, pois a praga tem várias gerações.
6. Broca-pequena-do-fruto (Neoleucinodes elegantalis)
Comum em tomate estaqueado, a lagarta entra pelo cálice e danifica a polpa. O controle biológico com Trichogramma galloi tem mostrado eficiência em regiões de clima quente. A liberação deve começar na floração, antes da formação dos frutos.
7. Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)
Ataca plântulas e mudas recém-transplantadas, cortando o caule na base. Nematoides entomopatogênicos (Steinernema spp.) aplicados no solo atingem as lagartas no estágio de pupa. A aplicação deve ser feita ao entardecer, quando a praga se aproxima da superfície.
8. Vaquinha (Diabrotica speciosa)
Besouro que fura folhas e transmite o vírus do mosaico em feijão e solanáceas. O fungo Metarhizium anisopliae infecta adultos no solo. Armadilhas com feromônio ajudam no monitoramento, mas o controle biológico exige aplicações contínuas em bordaduras.
9. Tripes (Frankliniella occidentalis)
Pragas minúsculas que transmitem o vira-cabeça do tomateiro. O ácaro predador Amblyseius swirskii é liberado em cultivos protegidos, com resultado em 2 a 3 semanas. A presença de plantas daninhas reduz a eficácia, então o manejo de bordadura é essencial.
10. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
Embora associada ao milho, ataca tomate e pimentão em certas fases. Bacillus thuringiensis aizawai é eficaz contra lagartas jovens. O parasitoide Campoletis sonorensis também ocorre naturalmente, mas é sensível a inseticidas de amplo espectro.
11. Percevejo-verde (Nezara viridula)
Suga frutos e causa manchas e deformações. O parasitoide de ovos Trissolcus basalis reduz populações em áreas de soja próximas. Em solanáceas, a liberação deve ser feita na bordadura, onde os adultos entram.
12. Cochonilhas (Planococcus citri)
Atacam raízes e parte aérea em estufas, com fumagina associada. O predador Cryptolaemus montrouzieri, a joaninha australiana, é específico para cochonilhas. A liberação é mais eficaz em infestações localizadas, não em plantas severamente danificadas.
13. Nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.)
Atacam raízes de tomate e batata, reduzindo a absorção de água. O controle biológico usa fungos como Pochonia chlamydosporia e bactérias como Pasteuria penetrans, aplicados no solo antes do plantio. A rotação com gramíneas por 60 dias reduz a população inicial.
Como escolher o controle biológico certo
A escolha depende do nível de infestação, do estágio da cultura e do ambiente. Para lagartas em fase inicial, Bacillus thuringiensis é a primeira linha. Para pragas de solo, nematoides e fungos são mais indicados. Em estufas, priorize ácaros predadores e parasitoides, que exigem clima controlado. O monitoramento semanal com armadilhas e inspeção visual define o momento certo de liberação.
FAQ
Qual é a praga mais destrutiva em solanáceas?
A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) é considerada a mais destrutiva, pois ataca folhas, hastes e frutos, com várias gerações por safra. O controle biológico com Trichogramma e Bt é eficaz, mas exige monitoramento constante.
O controle biológico substitui totalmente o químico?
Não. Em infestações severas, o controle biológico pode não ser suficiente. O manejo integrado combina liberação de inimigos naturais com inseticidas seletivos, que preservam os agentes de controle.
Como saber se a liberação de predadores funcionou?
Avalie a redução da população da praga em 2 a 3 semanas e a presença de predadores nas plantas. Em estufas, a umidade e a temperatura devem ser adequadas à espécie liberada.
Quais pragas atacam mais o pimentão?
Ácaro-rajado, pulgões e tripes são comuns no pimentão, especialmente em cultivo protegido. O controle com Phytoseiulus e Amblyseius é eficaz em condições de alta umidade relativa.
O controle biológico é mais caro que o químico?
O custo inicial pode ser maior, mas a longo prazo reduz gastos com reaplicações e perdas por resistência. Em cultivos de tomate estaqueado, o custo por hectare é competitivo quando comparado ao manejo químico intensivo.
Qual a frequência de liberação de parasitoides?
Depende da praga e da fase da cultura. Para Tuta absoluta, recomenda-se liberação semanal de Trichogramma durante o pico de infestação. Já para mosca-branca, liberações quinzenais podem ser suficientes em estufas.