Safra e Produção

Emplacamentos de veículos crescem 10% em julho, diz Fenabrave

ResumoA Fenabrave registrou crescimento de 10,17% nos emplacamentos de veículos em julho de 2025, comparado ao mesmo mês de 2024, e alta de 3,31% ante junho, totalizando 504.574 unidades. O desempenho reflete os programas Carro Sustentável e Move Brasil. A entidade projeta expansão de 8,6% no acumulado anual.

Em julho, os emplacamentos de veículos cresceram 10,17% na comparação anual e 3,31% ante junho, somando 504.574 unidades. A Fenabrave atribui o resultado ao Carro Sustentável e ao Move Brasil, e projeta alta de 8,6% no ano.

Sebastião Quirino
Sebastião Quirino Repórter Sênior de Política Agrícola · 04 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Emplacamentos de veículos crescem 10% em julho, diz Fenabrave

Emplacamentos de veículos crescem 10% em julho e somam 504 mil unidades

Os emplacamentos de veículos cresceram 10,17% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, e 3,31% sobre junho, com um total de 504.574 unidades vendidas. O número engloba automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. O dado foi divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que classificou o resultado como o terceiro melhor mês de julho da história.

A leitura fria dos números indica um mercado que segue aquecido no varejo, mas com comportamento desigual entre segmentos. Enquanto automóveis e motos sustentam a alta, ônibus ainda patinam na comparação anual.

O que explica o crescimento de julho

Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, atribui o desempenho a uma combinação de fatores. "Estamos vivendo um ano com resultados positivos nos segmentos de maior volume, principalmente no varejo de automóveis, comerciais leves e motocicletas. Além do Programa Carro Sustentável, observamos que a demanda por mobilidade, renovação de frota e investimento permanecem, e a competição entre marcas continua favorecendo a oferta de mais produtos no mercado", disse.

A fala do dirigente ecoa o que se viu em ciclos anteriores de incentivo. Quem acompanha o setor há mais de uma década reconhece o padrão: programa de desconto tributário puxa o varejo, e a indústria responde com mais oferta. A letra miúda, porém, está na segmentação.

Automóveis e comerciais leves: alta de 15,54% no ano

No recorte que considera apenas automóveis e comerciais leves, o crescimento foi de 2,02% sobre junho e de 15,54% em relação a julho de 2025, com 265.695 unidades vendidas. Para a Fenabrave, o resultado é reflexo direto do programa Carro Sustentável, que reduz as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos mais leves e sustentáveis. Segundo a entidade, os modelos incluídos no programa registram números 29,4% superiores ao período anterior à sua implementação.

O número de 29,4% é o tipo de dado que separa o anúncio da realidade. Ele indica que o programa não apenas sustentou as vendas, mas as elevou acima da base pré-existente.

Caminhões reagem após sequência de quedas

O segmento de caminhões, que vinha acumulando quedas, apresentou reação em julho. O crescimento foi de 18,89% sobre junho e de 7,16% sobre julho do ano passado. A recuperação, segundo Arcelio Junior, está ligada ao Programa Move Brasil, em suas etapas 1 e 2.

"Por ser um segmento ligado ao PIB e ao desenvolvimento industrial e do agronegócio, o transportador avalia bem o mercado antes de comprar e acaba renovando sua frota quando enxerga demanda, capacidade de pagamento e segurança para assumir um financiamento de longo prazo", explicou.

A fala reforça um comportamento conhecido no setor de pesados: a decisão de compra é adiada até que haja previsibilidade de frete e crédito. O movimento de julho sugere que essa confiança voltou.

Ônibus seguem em queda anual, apesar de alta mensal

O segmento de ônibus cresceu 4,26% em julho ante junho, mas ainda acumula retração de 2,32% na comparação com julho de 2025. A explicação, na visão do presidente da Fenabrave, é a ausência de programas específicos para o setor.

"No início do ano, o segmento chegou a registrar retração de quase 25% em relação a 2025. A diferença caiu de forma gradual e consistente a partir do segundo bimestre, com a implantação da segunda fase do Move Brasil, que incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus", disse.

O dado de R$ 2 bilhões em crédito é o ponto central da recuperação gradual. Sem ele, a queda anual seria mais profunda.

Motocicletas em alta e projeção para o ano

O setor de motocicletas também demonstrou alta, com crescimento de 2,55% sobre junho e de 3,11% sobre julho do ano passado. O segmento segue como um dos motores do varejo de duas rodas.

Para o fechamento de 2026, a Fenabrave mantém a expectativa de crescimento. A previsão é de alta de 8,6% no setor como um todo, com mais de 5,3 milhões de unidades comercializadas.

Perguntas Frequentes

Qual foi o crescimento dos emplacamentos em julho?

Os emplacamentos cresceram 10,17% em relação a julho de 2025 e 3,31% ante junho, com 504.574 unidades vendidas.

O que é o Programa Carro Sustentável?

É um programa que reduz as alíquotas do IPI para carros mais leves e sustentáveis. Segundo a Fenabrave, os modelos incluídos registram vendas 29,4% superiores ao período anterior à implementação.

Por que os caminhões voltaram a crescer?

A recuperação é atribuída ao Programa Move Brasil, etapas 1 e 2. O segmento cresceu 18,89% sobre junho e 7,16% sobre julho de 2025.

O segmento de ônibus está em recuperação?

Houve alta de 4,26% em julho ante junho, mas a comparação anual ainda é negativa, em -2,32%. A segunda fase do Move Brasil incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus.

Qual a projeção da Fenabrave para o ano?

A entidade projeta crescimento de 8,6% nos emplacamentos em 2026, com mais de 5,3 milhões de unidades comercializadas.

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